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Commodity e Lucro Econômico Zero: Por Que Ser Igual à Concorrência Não Paga

 


Lucia vende marmitas na comunidade. Cozinheira habilidosa, entrega arroz, feijão, ovo, frango e batata frita por R$ 7,50. Dez vizinhas fazem o mesmo, pelo mesmo preço. No final do dia, sobram R$ 109,00 — o suficiente para pagar seu trabalho. Não sobra para investir, crescer ou melhorar. Esse é o custo de vender uma commodity.

O Que É Lucro Econômico Zero

Quando um negócio vende produtos iguais aos de todos os concorrentes — produtos chamados de commodity — não consegue aumentar o preço. A margem é baixa e igual para todos. O que sobra no final do dia remunera apenas o trabalho do dono — e mal dá para reinvestir no próprio negócio.

Em Economia, esse resultado é chamado de Lucro Econômico Zero — o "lucro" que só paga o trabalho de quem opera o negócio, sem gerar excedente real.

A Saída de Lucia

Um amigo administrador explicou para Lucia que ela precisava se diferenciar. Fazer algo que as vizinhas não faziam — e que alguns clientes valorizariam o suficiente para pagar mais.

Lucia percebeu que as pessoas estavam comendo mais saladas e frutas. Adicionou à marmita uma segunda embalagem com salada, molho e pedaços de fruta. Passou a cobrar R$ 12,00 por refeição.

O custo de supermercado subiu de R$ 200,00 para R$ 250,00 por dia. Mas manteve as 50 entregas diárias. O resultado: ao invés de R$ 109,00, passou a sobrar R$ 259,00 por dia — aumento de mais de 130% na margem.

A Vigilância Permanente

Lucia sabe que não pode relaxar. Quando as vizinhas perceberem a estratégia, começarão a fazer o mesmo — e as margens voltarão a ser achatadas. Diferenciação gera vantagem competitiva temporária. Manter essa vantagem exige inovação contínua.

A pergunta que todo dono de negócio deve se fazer: o que eu faço que nenhum concorrente faz — e que meu cliente valoriza o suficiente para pagar mais?

Alberto Ajzental: Gestão, Marketing e Finanças na Prática

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