Você já entrou em uma loja e saiu sem entender exatamente o que ela vendia ou queria transmitir? Esse é o resultado de uma comunicação no marketing mal estruturada — e é mais comum do que parece.
O Processo de Comunicação
O modelo básico de comunicação envolve: o emissor — quem diz algo —, o receptor — quem deve receber a mensagem —, a mídia — o meio pelo qual a comunicação trafega —, o ruído — quando parte da mensagem sofre alteração no caminho — e o feedback — o retorno do receptor ao emissor.
O mais importante na comunicação no marketing não é o que o emissor diz — é o que o receptor entende. E raramente esses dois coincidem perfeitamente.
Onde a Comunicação Falha
O emissor pensa uma coisa e diz outra. A mídia distorce a mensagem ao longo do caminho — como na brincadeira de telefone sem fio, em que uma frase simples chega à última pessoa completamente diferente. O receptor não compartilha o mesmo contexto — como quando você precisa explicar toda a situação antes de contar uma piada. E o excesso de informação — poluição visual, auditiva, digital — impede que qualquer mensagem específica seja absorvida.
O Caso da Lanchonete de João
João entrou em uma lanchonete moderna, recém-inaugurada em uma avenida movimentada de São Paulo. Tudo era autoatendimento — telas de toque, pagamento por cartão, retirada por senha. A proposta era clara: modernidade, agilidade, sem filas.
Mas ao olhar para as paredes, João encontrou um banner de plástico perto da entrada — cobrindo parte das telas de autoatendimento. Adesivos com ofertas de sobremesas colados na parede, com a cola soltando. Quatro telas de LCD no fundo mudando de oferta a cada 10 segundos.
Mídias diferentes, mensagens diferentes, linguagens diferentes — tudo misturado. João ficou confuso. A loja queria ser moderna e inovadora — ou tradicional com muitos combinados? A comunicação no marketing havia destruído o posicionamento antes mesmo de o cliente fazer o pedido.
A Lição
Toda mídia comunica algo. A escolha do suporte — tela, banner, adesivo, outdoor — já é uma mensagem antes do conteúdo. Quando as mídias são inconsistentes entre si, o cliente recebe sinais contraditórios — e a marca perde clareza. Menos, muitas vezes, é mais.
Alberto Ajzental: Gestão, Marketing e Finanças na Prática
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