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Rádio TMC — IPCA, Combustíveis e Política Eleitoral — 16/05/2026

 



Alberto Ajzental concedeu entrevista ao vivo à Rádio TMC em 16/05/2026 para analisar o IPCA de abril, a pressão inflacionária do petróleo e dos combustíveis, e a discussão sobre desoneração de impostos pelo governo — a cinco meses das eleições.

O Timing Político da Inflação

O ponto central da discussão talvez não seja a inflação em si, mas o timing político dela. Quando o petróleo sobe, os combustíveis pressionam o IPCA quase imediatamente. O governo sabe disso. Combustível é um dos preços mais visíveis da economia — o eleitor acompanha o preço da gasolina toda semana, mesmo sem acompanhar déficit nominal ou curva de juros futuros.

Existe Racional Econômico — Mas Há um Custo

Reduzir impostos sobre combustíveis pode até aliviar a inflação no curto prazo. Tecnicamente, existe racional econômico nisso — combustíveis contaminam frete, alimentos, serviços e expectativas inflacionárias. O problema começa quando medidas temporárias viram ferramenta recorrente de administração eleitoral do humor da população.

A pergunta relevante não é apenas desonerar ou não. É perguntar quem paga essa conta depois. Se o governo reduz arrecadação sem compensação fiscal, transfere parte do custo para aumento de dívida pública, juros maiores no futuro ou deterioração fiscal gradual. Reduz inflação aparente agora e empurra parte do problema para depois da eleição.

A Contradição Estrutural

O Brasil tenta simultaneamente controlar inflação, estimular crescimento, manter popularidade, expandir gasto público e preservar responsabilidade fiscal. Historicamente, poucos países conseguem sustentar tudo isso ao mesmo tempo por muito tempo.

Chamar automaticamente toda desoneração pré-eleitoral de populista talvez seja simplista. Mas ignorar completamente o calendário político também seria ingenuidade. Em democracias, política econômica e política eleitoral frequentemente caminham juntas. O mercado sabe disso. O Banco Central sabe disso. E o eleitor, mesmo sem usar esse vocabulário, costuma perceber quando medidas aparecem exatamente no momento em que o governo mais precisa melhorar o humor econômico da população.

Alberto Ajzental: Gestão, Marketing e Finanças na Prática

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